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Tecnologia & Marketing

(Entrevista) Montadoras levam tecnologia de RFID para fábricas

Recurso promete localizar peças certas nas linhas de produção e aprimorar gestão de ativos

Transcrição:

Mais conhecida no Brasil pela cobrança automática nos pedágios “Sem Parar”, a tecnologia de identificação por radio-frequência ou RFID (Radio Frequency Identification) está atraindo mais investimentos da indústria automo-bilística. Sua adesão em maior escala é para reduzir custos, aprimorar processos de produção, rastreabilidade e afinar a gestão de ativos.

Montadoras como Toyota, BMW, Volvo e Ford adotam esses sistemas em suas plantas no exterior para ganhar eficiência e velocidade nos negócios. No Brasil, os projetos caminham mais lentamente por causa do preço das tags, etiquetas inteligentes que substituem o tradicional código de barras. Esses microchips são fixados em peças ou objetos para transmitir informações quando passam por ambientes com antenas de radiofrequência. Uma das vantagens do sistema é a leitura rápida dos da-dos e localização dos itens de forma automática.

NA NUVEM
“Com a evolução da tecnologia, ampliação das redes de comunicação no País e serviços em nuvem, a indústria está demandando mais projetos de RFID”, constata Carlos Ribeiro, diretor da divisão Machine to Machine (M2M) & Innovation Programs da T-Systems do Brasil. Ele constata que o preço das tags está em queda, variando entre R$ 2 e R$ 10, dependendo da aplicação, tornando a utilização mais acessível.

A combinação com sistemas M2M, Internet das Coisas e a tendência do carro conectado também devem impulsionar a adoção da tecnologia de identificação por radiofrequência pelas montadoras, acredita Ribeiro. Atenta a esse movimento, a T-Systems lançou no mercado brasileiro a plataforma iVes (Visibility Enterprise Service), que permite a contratação de solução de RFID na nuvem pelo modelo de serviço.

A Volkswagen e MAN estão entre as montadoras que testam a solução da T-Systems para gestão de embalagens retornáveis, como racks especiais e caixas que movem peças de fornecedores para montadoras. Ribeiro explica que muitas vezes esses ativos se perdem e diminuem a produtividade na cadeia de suprimentos, além de trazer riscos fiscais.

Com uso das etiquetas inteligentes, ele diz que o ecossistema passa a ter controle exato desse inventário, reduzindo custos e tempo de expedição.

AGILIDADE
Alexander Dannias, diretor-geral no Brasil da finlandesa Confidex, complementa que a tecnologia de RFID pode ser adotada em toda a cadeia de produção da indústria automotiva e também para fidelizar clientes, reduzindo falhas dos veículos e recall.

Um dos clientes da empresa é Volvo, na Suécia, que instalou dois milhões de tags em sua fábrica para rastrear ativos, desde solda e oficina de pintura até o ponto de montagem final.

Um dos benefícios do sistema, segundo Dannias, é a velocidade na hora de fazer o inventário. “Tinha uma planta que levava de um a dois dias para fazer esse trabalho. Com RFID o tempo caiu para questão de horas.”

Reprodução/Automotive Business/Agosto de 2014